Goiás entrou no mapa da corrida global por data centers. Com novas medidas federais e estaduais, o estado reúne vantagens para atrair investimentos e se tornar protagonista da infraestrutura digital no Brasil.
O crescimento da inteligência artificial tem impulsionado a demanda por capacidade de processamento e armazenamento de dados, tornando os data centers cada vez mais centrais. Essas instalações exigem energia em grande escala, conectividade de alto desempenho e condições ambientais que garantam eficiência e segurança operacional[1].
O Brasil tem condições estratégicas para se tornar protagonista nesse setor. E resolver entraves na tributação é um atributo essencial. Em 18 de setembro de 2025, a Medida Provisória nº 1.318/2025 instituiu o Regime Especial de Tributação para Data Centers (REDATA), alterando a Lei nº 11.196/2005 para reduzir a carga tributária e tornar o país mais competitivo. O regime suspende o recolhimento — convertido depois em alíquota zero — de PIS/Cofins (inclusive sobre importações), IPI (exceto produtos da Zona Franca de Manaus listados em ato do Executivo) e Imposto de Importação para componentes sem similar nacional. A abrangência inclui vendas internas e importações de equipamentos e tecnologias destinados ao ativo imobilizado de empresas habilitadas.
Os benefícios do REDATA dependem do cumprimento de metas específicas, entre elas: uso exclusivo de energia limpa ou renovável, índice mínimo de eficiência hídrica, destinação de ao menos 10% da capacidade instalada ao mercado interno e investimento de, pelo menos, 2% do valor dos bens adquiridos em pesquisa e desenvolvimento, incentivando a inovação nacional.
Goiás reforça sua atratividade por estar entre as áreas de desenvolvimento regional contempladas com 20% de redução nos compromissos exigidos pelo REDATA. No âmbito estadual, a Lei Complementar nº 205/2025 reconheceu a infraestrutura digital, incluindo data centers, como de interesse público e estratégico, garantindo incentivos fiscais, prioridade em licenciamento e segurança no fornecimento de energia. O Decreto nº 10.712 instituiu créditos de ICMS de até 90% para operações com biogás e biometano e, em agosto, foi lançado um fundo de R$ 800 milhões para setores estratégicos, entre eles data centers.
Essa convergência de iniciativas coloca Goiás no radar de grandes investidores. Além da legislação, Goiás oferece posição geográfica central, enorme potencial para geração de energia renovável e projetos inovadores, criando um ambiente favorável à operação de data centers. As notícias recentes apontando o interesse de Google e Amazon em avaliar o estado como destino de novos projetos reforçam seu papel estratégico.[2]
Será fundamental agora consolidar esse ambiente. Estruturas desse porte atraem big techs, fundos de private equity e empresas de energia, inseridas em um arranjo contratual sofisticado, repleto de nuances, cuja condução é facilitada pela previsibilidade regulatória, segurança jurídica e agilidade em licenciamento.
Com essas condições alinhadas, Goiás tem tudo para assumir papel de protagonista na infraestrutura digital do Brasil. A corrida global por data centers pode (e deve) passar por aqui.
[1] BTG PACTUAL. Data Centers. São Paulo: BTG Pactual Equity Research, 5 set. 2025. Disponível em: https://content.btgpactual.com/research/files/file/pt-BR/2025-09-05T133847.617_Data_centers.pdf.